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sexta-feira, 23 de março de 2012

MONS. ENRICO RODOLFO GALBIATI
BIBLISTA – DIRETOR DA BIBLIOTECA AMBROSIANA DE MILÃO.

MARIA, ROSA MÍSTICA

TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO:
PE.VINCENZO SAVOLDI, CS.

LIVRO

HISTÓRIA * MENSAGENS * TESTEMUNHOS 


APRESENTAÇÃO
“Gostaria de apresentar as inúmeras manifestações ou presumíveis manifestações atuais de Maria e o que elas significam. Trata-se de um fenômeno que todo sacerdote deve conhecer para educar o povo na devoção mariana.
Num livro recente, René Laurentin (teólogo e mariólogo de fama mundial) enumera todas as aparições mais conhecidas hoje no mundo.
Nós ficamos surpresos por serem tão numerosas. Poucas foram reconhecidas oficialmente pela Igreja, como Salette, Lourdes, Fátima e algumas mais. Muitas são também as aparições aceitas.
A maioria dos santuários marianos foram construídos depois de uma pretensa aparição de Maria: por exemplo o Santuário de Rho, de Caravaggio.
Em nossos dias, com o crescer do ‘espírito crítico’, todos pensavam que não se registrariam mais as aparições, visões ou locuções, e “no entanto” estão aumentando.
O clero em geral não presta atenção, mas quando o padre encontra-se diante de uma pessoa que acredita, que se converteu ao presenciar uma aparição ou visitando um local e que recebeu um estímulo para a sua vida cristã, fica embaraçado.
Eis a tipologia das aparições marianas em nossos dias:
1 – Existe a ‘locução interior’, como acontecia com o Pe. Gobbi, relatado no seu livro ‘Nossa Senhora aos seus filhos prediletos’, que criou um tipo de espiritualidade no mundo.
2 – Existem as aparições que são numerosas,como as de Medjugorje.
3 – Enfim, existem as lacrimações, até de sangue.
Diante desses fenômenos, eis a pergunta: O que significam essas mensagens?
Além das manifestações aprovadas oficialmente pela Igreja: La Salette, Lourdes, Fátima..., nos últimos três decênios, as locuções são repetitivas: exortam à prática das virtudes cristãs, às obras de piedade, com romarias ou construção de capelas e santuários; e muitas vezes nas pretensas mensagens apresenta-se uma situação apocalíptica com guerras, carestias,catástrofes iminentes.
Não podemos declarar que tudo é falso e inútil, mas temos que analisar à luz do evangelho.
É fácil a solução de não prestar atenção ou continuar a encontrar o apoio só na Bíblia, na tradição e no magistério.
Mas as pessoas mais esclarecidas e de boa vontade se preguntam: ‘Será que por trás dessas manifestações não existe um projeto de Deus?
Aqui entra o dom do discernimento e a sabedoria da Igreja, que reserva para si o julgamento de tais fenômenos, se são verdadeiros ou falsos. Oferece alguns critérios para análise:
1 – Ver se o conteúdo das mensagens está em sintonia com o evangelho.
2 – Analisar se as pessoas que receberam as mensagens são humildes, obedientes e reservadas.
3 – O critério utilizado pela Igreja e por São Carlos Borromeu, quando inaugurou o Santuário de Rho. Esse critério consiste em analisar se as aparições e mensagens produzem frutos de fé e de verdadeira conversão. São Carlos, depois de ter indagado sobre a visão e lacrimação de Nossa Senhora, não deu resposta nem negativa nem afirmativa. Declarou que, vendo muitos fiéis visitar aquele lugar para rezar e, produzindo bons frutos de conversão, incentivava o afluxo dos romeiros e dava ordem para cultivar essa devoção mariana. Trata-se de uma sábia solução: Não aprova nem desaprova a aparição ou visão. Vendo os frutos de fé evangélica, os videntes humildes e o conteúdo das mensagens em sintonia com o evangelho ordenam a devoção.
                    E o que nos diz Nossa Senhora que chora? 
Em Salette, no dia 19 de setembro de 1846, Nossa Senhora aparecendo a dois pastorinhos: Melania Calvat, de catorze anos e Massimino Giraud, de onze anos disseram: ‘Aproximem-se, não tenham medo. Tenho uma grande notícia... Há tanto tempo sofro por vocês...’  Aqui vem a grande pergunta do teólogo ou do filósofo aristotélico, que não admite a união entre o sofrimento e a felicidade: 1Como podem os bem aventurados sofrer? No paraíso ninguém sofre. Portanto nem Nossa Senhora, nem Deus, podem sofrer. ’
A bem aventurança é absoluta, enquanto o sofrimento é o lamento de quem foi ferido.
A teologia e a metafísica não conseguem entrar mais íntimo de Deus, mas o coração entende. ‘O Espírito conhece as coisas mais profundas de Deus.’ (Ef. 1, 17)
O nosso Deus é um Deus crucificado. A sua felicidade não o impediu de temer, de gemer, de suar sangue no momento da agonia, de lamentar-se na cruz e sentir-se sozinho, abandonado.
O homem perdeu o sentido do pecado que leva ao arrependimento e a chorar, pensando que Deus é impassível às injúrias dos seus filhos, aos pecados e à ruína espiritual dos homens. Pelo contrário, nós adoramos o Senhor que é ‘terno, compassivo,  misericordioso.’  Ele entende o homem, assim como Maria vê o mistério presente da história, como Jesus na cruz, ama e sofre por cada um de nós.
Temos que colher a sensibilidade espiritual de Deus, espelhada no rosto da Mãe da Misericórdia que chora.
O sentido do pecado não se adquire com uma deploração somente exterior e moralística, nem através da catequese ou da repetição de ameaças pelo mal cometido. Trata-se de um dom, uma graça que atinge o coração ferido. Esse dom está faltando na vida pastoral, nas programações, atividades e iniciativas pastorais.
Trata-se do dom do arrependimento, das lágrimas, da participação no pranto de Maria que se torna misericórdia para o homem, sofrimento pelas dores dos pecados da humanidade.
É converter o coração endurecido para ficar mais sensível ao sofrimento do povo, que nasce do afastamento de Deus, da indiferença diante das suas graças e do esquecimento de sua misericórdia.
Quando falta esse dom, os projetos pastorais, os programas, as atividades, as iniciativas, atingem superficialmente as consciências, não chegando a perceber a dramaticidade do afastamento de Deus.
Maria chora para nos admoestar e tornar-nos participantes de sua ação corredentora no mistério da cruz.
Ó “Maria, fonte do belo amor, fazei que sintamos a força da dor, para que possamos chorar convosco.”
Cardeal CARLOS MARIA MARTINI
Extraído do livro “Maria e os afetos do discípulo”


PRIMEIRA PARTE
HISTÓRIA DA VIDA DE PIERINA GILLI, A MENSAGEIRA DA “ROSA MÍSTICA”. 


A JUVENTUDE
(1911 – 1944)
Pierina Gilli nasceu na Itália, em Montichiari, região de Bréscia, no dia 03 de agosto de 1911, no vilarejo de São Jorge, e faleceu no dia 12 de janeiro de 1991, com quase 80 anos, na mesma cidade, na localidade de Bosquetti.
O pai, Pancrácio Gilli, era camponês. A mãe, Rosa Bartoli (falecida em 1962), criou seus nove filhos na probreza e no temor a Deus. Destes, três eram do primeiro marido, morto na primeira guerra mundial, em 1918, e seis do segundo.
Pierina escreve em seu diário:
“Eu fui a primeira dentre nove filhos a gozar da alegria, da felicidade e do carinho dos meus pais. O dia 03 de agosto foi o alvorecer de minha vida terrena, e fui batizada no dia 05, festa de Nossa Senhora das Neves, ocasião em que minha mãe consagrou-me à Mãe do Céu, para que com sua maternal proteção, conservasse a minha vida branca e pura como a neve. Quantas proteção, conservasse a minha vida branca e pura como a neve. Quantas vezes minha querida mamãe lembrava-me disso, dizendo para eu ficar boazinha e não ser malcriada porque tinha sido consagrada a Nossa Senhora e por isso incentivava-me a amá-la muito”.

Na infância de Pierina não aconteceu nenhum fato extra-ordinário. Todavia ela pertencia à categoria das almas favorecidas pelo carisma das revelações particulares, almas caracterizadas pela simplicidade, pela pobreza e pelo sofrimento.
A seus primeiros sofrimentos estavam unidos a pobreza e a saúde precária que mais tarde tornaram-se dilacerantes, cumprindo pessoalmente a mensagem que recebeu de Maria “Rosa Mística”. ORAÇÃO, SACRIFÍCIO E PENITÊNCIA.

O primeiro grande sofrimento aconteceu aos sete anos de idade quando seu pai que, como soldado, fora preso durante a segunda guerra mundial, volta para casa com a saúde totalmente debilitada. Sua volta não foi para trazer alegria à família, mas para morrer posteriormente em um hospital.
Pierina viveu de 1918 até 1922 no orfanato das Servas da Caridade, onde aos oito anos de idade recebeu a primeira eucaristia. Aos onze anos, quando cursava a 4ª série primária, teve que voltar para casa porque a mãe tinha se casado novamente e os novos irmãozinhos necessitavam dos cuidados da irmã mais velha.
Quando Pierina tinha doze anos de idade, a pobreza obrigou sua família a mudar-se para outro casebre dividindo-o com mais uma família. Nessa época a sua pureza foi ameaçada, o que a fez sofrer muito, mas conseguiu vencer a tentação, com a ajuda da graça divina.
O chefe da outra família, quando se encontrava a sós com a mocinha, dava-lhe muita atenção e carinho, mas logo manifestou suas verdadeiras intenções. Pierina não queria contar o fato à sua mãe para não criar discórdias entre as duas famílias. Conforme o costume dos camponeses, a mãe costumava, durante a tarde, ficar no estábulo para trabalhar e coser, mandando, enquanto isso, a filha ir para a cozinha acender o fogo e preparar o jantar.
A pobre menina ficava sem saber o que fazer: de um lado temia encontrar-se sozinha com aquele homem e por outro, se não acatasse as ordens da mãe seria castigada por ser desobediente e teimosa.
Um dia, pensando que o homem estivesse longe, foi para a cozinha cantando as ladainhas de Nossa Senhora, quando repentinamente sentiu-se agarrada pelas costas e jogada ao chão. Com esforço sobre- humano e invocando Nossa Senhora, conseguiu libertar-se e fugir enquanto o homem a ameaçava dizendo: “Se falar algo eu te mato”.
Estava ainda amedrontada quando contou tudo à sua mãe, que beijando-lhe a testa em sinal de reparação pelas vezes que a castigou julgando-a desobediente, comprometeu-se a ser mais vigilante e evitar determinar-lhe tarefas que a obrigassem ficar sozinha. Foi nesta ocasião que Pierina fez o propósito de tornar-se religiosa. Mas a adolescência não é a idade das decisões definitivas.
Pierina descreve em seu diário, com muita simplicidade, a crise que atravessou aos dezessete anos quando trabalhava num certo estabelecimento. Não encontrava mais a consolação nas orações, não cuidava bem das práticas de piedade, era dominada pela vaidade, iludia-se em ser objeto de admiração por meio dos trajes que usava e pela maneira de ser.
Certo dia, uma tia deu-lhe de presente um colar branco, com o qual ela exibiu-se num dia de festa, arrependo-se logo depois.
Ajudada pelos severos conselhos do seu confessor, superou aquela crise e logo o colar transformou-se na coroa do rosário que ficou para sempre com ela como lembrança do compromisso assumido diante de Deus: o de ser inteiramente dEle.
Mas outra provação a aguardava. Aos dezoitos anos começou a trabalhar na creche municipal cuidando das crianças. O trabalho a realizava profissionalmente e lhe proporcionava os proventos necessários para viver. Depois de algum tempo, um bom jovem, honesto e bem intencionado, propôs-lhe casamento. O padre, seu confessor, quis submetê-la a uma prova e disse-lhe que aquele era seu verdadeiro caminho. Para Pierina foram dois meses de grande crise interior, sentia que o matrimônio não era sua vocação e ao mesmo tempo sentia que Deus a queria exclusivamente para Si. Finalmente o confessor manifestou-lhe o seu verdadeiro pensamento, confirmando-lhe sua vocação religiosa.
Com vente anos Pierina confirmou sua vocação entrando para o convento das Irmãs Servas da Caridade. Nessa época contraiu uma doença denominada pleurite que a obrigou a passar vários meses em convalescência, motivo que a impediu de ser uma das postulantes das Servas da Caridade, que exigia boa saúde para desempenhar suas funções adequadamente.
Encontrou trabalho de acordo com sua capacidade física em Carpenédolo como encarregada dos serviços da casa paroquial do padre José Brochini, que tinha a mãe com oitenta anos e cega. Permaneceu neste emprego até aos vinte e seis anos (1931 – 1937). Foram anos serenos passados ao lado do sacerdote e de sua mãe idosa, na oração, meditação e leitura espiritual. Depois da morte da mãe do padre, despediu-se para seguir sua própria vocação. Mas ainda não foi possível realizar seu desejo devido à sua precária.
Em seguida passou dois anos como empregada em Bréscia na Casa de Saúde “ Vila Brança” junto das Irmãs de Caridade de Santa Antida Thouret.
Aos vinte e nove anos, sentindo-se incapaz de realizar satisfatoriamente o serviço, cuidando da repartição masculina, pediu demissão e passou a trabalhar no Hospital Civil de Desenzano do Garda sob o cuidado das Servas da Caridade. Permanece aí durante quatro anos, no tempo da guerra, com bastante tranqüilidade.


SANTA MARIA CRUCIFIXA DI ROSA – FUNDADORA DAS SERVAS DA CARIDADE

O PRIMEIRO PERÍODO DAS APARIÇÕES
(1944 – 1949)

No dia 14 de abril de 1944, aos trinta e três anos , Pierina Gilli entra para o convento como postulante das Servas da Caridade e foi enviada como enfermeira para um hospital infantil em Bréscia.
No dia 01 de dezembro de 1944, Pierina contrai outra doença grave: meningite




Continuação depois...














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