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sábado, 27 de abril de 2013

AS APARIÇÕES DE JACAREÍ/ SP

MÍSTICA CIDADE DE DEUS
MARIA DE ÁGREDA


TERCEIRO TOMO
MARIA NO MISTÉRIO DA REDENÇÃO
(na vida pública de Jesus)


Jesus batiza sua Mãe Santíssima

CAPÍTULO 12

ORAÇÃO DE CRISTO E MARIA PELOS HOMENS.
A vivência espiritual entre Jesus e Maria

846. Por mais que se procure aplicar nosso limitado entendimento, a fim de manifestar e glorificar as misteriosas obras de Cristo nosso Redentor e de sua Mãe santíssima, sempre se ficará vencido e muito longe de atingir a grandeza destes mistérios. São maiores, diz o Eclesiástico (43, 33), que todo nosso louvor. Nunca os vimos, nem os compreenderemos e sempre ficarão ocultas coisas maiores de quantas dissermos. São muito poucas as que alcançamos e nem destas merecemos entender ou explicar o que entendemos.

O entendimento do supremo Serafim é insuficiente para avaliar e penetrar os segredos que se passaram entre Jesus e Maria santíssima nos anos em que viveram juntos, estes de que vou falando. Ainda mais, quando o Mestre da luz a instruía de tudo o que havia de fazer na lei da graça, e quanto esta encerraria na sexta idade do mundo, a época do Evangelho que durará até os fins dos tempos.

O que aconteceu em mais de mil seiscentos e cinqüenta e sete anos (1), e o que ignoramos que irá acontecer até o dia do juízo, nossa divina Senhora tudo conheceu na escola de seu Filho santíssimo. Revelou e conferiu com Ela tudo o que aconteceria nos tempos da Igreja em cada época, lugar, reinos e províncias.

Isto foi com tal clareza que, se esta Senhora continuasse a viver em carne mortal, conheceria todos os membros da santa Igreja, individualmente, por suas pessoas e nomes. Assim aconteceu com os que viu e tratou em sua vida. Quando chegavam à sua presença, começava a conhecê-los apenas por outro modo, correspondente à notícia interior de que já estava informada.

A visão de Maria era inferior a de Cristo

847. Quando a Mãe da sabedoria via e entendia estes mistérios no interior e nos atos das potências de seu Filho santíssimo, não os penetrava tanto como a alma de Cristo unida à divindade hipostática e beatificante. A grande Senhora era pura criatura e ainda não era bem-aventurada por visão contínua. Também não via sempre as espécies e luz beatífica daquela alma santíssima, a não ser nas ocasiões em que Ela também gozava da clara visão da divindade.

Nas demais visões, porém, dos mistérios da Igreja militante, conhecia as espécies imaginárias das potências interiores de Cristo Senhor nosso. Compreendia que tudo dependia de sua vontade santíssima que decretava e ordenava aquelas obras, para seus devidos tempos, lugares e ocasiões. Por outro modo, conhecia ainda, como a vontade humana do Salvador se conformava com a divina, e era por esta regida em tudo quanto determinava.

Esta harmonia agia sobre a vontade w potências da Senhora para que cooperasse com a vontade de seu Filho santíssimo, e por esta, com a divina. Deste modo, estabelecia-se inefável semelhança  entre Cristo e Maria santíssima, cooperando Ela, como coadjutora, na edificação da lei evangélica e da santa Igreja.

O oratório de Maria

848. Estes ocultíssimos sacramentos  passavam-se, ordinariamente, no humilde oratório da Rainha, onde celebrou o maior dos mistérios, a Encarnação do Verbo em seu virginal seio. Embora pobre e estreito, de paredes nuas e baixas, conteve a grandeza infinita de quem é imenso. Daí saiu quanto de majestoso e divino possuem hoje os ricos e inumeráveis santuários do mundo (Lv 16, 12).

Neste sancta sanctorum orava comumente o sumo sacerdote da nova lei, Cristo Senhor nosso. Sua contínua oração consistia em dirigir ao Pai fervorosas súplicas pelos homens e em conferir com sua Virgem Mãe as obras da redenção, os ricos dons e tesouros de graça que preparava para deixar em o novo testamento, para os filhos da luz e da santa Igreja, sua depositária.

Pedia, muitas vezes, ao eterno Pai que os pecados dos homens e sua duríssima ingratidão não fossem causa para impedir-lhes a Redenção. Em sua ciência conhecia as culpas, presentes e previstas, do gênero humano, e a condenação de tantas almas ingratas a este benefício. Saber que havia de morrer por elas, muitas vezes fê-lo agonizar e suar sangue. Os Evangelistas mencionam apenas uma vez (Ec 22, 44), antes da Paixão, porque não escreveram todos os sucessos de sua vida santíssima, mas é certo que muitas vezes sofreu igual sudação, sendo presenciada por sua Mãe santíssima (2). Assim me tem sido manifestado em algumas inteligências.

Oração de Cristo

849. A posição em que orava nosso Mestre, às vezes era de joelhos, outras prostrado, em forma de cruz, outra elevado do solo, na mesma forma de cruz que muito estimava.

Na presença de sua Mãe, costumava dizer, orando; Oh! Cruz felicíssima, quando estarei em teus braços e receberás os meus, para que em ti cravados, estejam abertos para receber todos os pecadores? (Mt 9, 13). Se desci do céu para chamá-los ao caminho de minha imitação e participação, sempre estão abertas para abraçar e enriquecer a todos. Vinde, pois, cegos à claridade; vinde, pobres aos tesouros de minha graça; pequeninos, aos carinhos de vosso verdadeiro Pai; vinde, aflitos e fatigados que eu vos aliviarei e consolarei (Mt 11, 23); vinde, justos, minha propriedade e herança; vinde, todos filhos de Adão, que a todos chamo. (1 Tim 2,4). Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6), e e para ninguém a recusarei se a  quiser receber. Eterno Pai meu, não os desprezeis, pois são obras de vossas mãos (SI 137, 8). Por eles me ofereço a morrer na cruz, a fim de os entregar justificados e libertos, se assim aceitarem, devolvendo-os ao grêmio de vossos eleitos no reino celestial, onde o vosso nome seja glorificado.

Sentimentos de Maria

850. A tudo se encontrava presente a piedosa Mãe e na pureza de sua alma como em cristal sem mácula, refletia-se a luz de seu Unigênito. Eco de suas palavras interiores e exteriores, as repetia e imitava em tudo, acompanhando-o nas orações e súplicas, nas mesmas posições em que as fazia o Salvador.

Quando a grande Senhora o viu, pela primeira vez, suar sangue, seu maternal e amoroso coração ficou traspassado de dor. Admirou-se do efeito que produziam em Cristo Senhor nosso os pecados e ingratidões dos homens, previstos pelo Senhor.


Oração de Cristo e Maria pelos homens.

Com dolorosa angústia, a divina Mãe dirigia-se aos mortais dizendo; Oh! Filhos dos homens, quase não compreendeis quanto o Criador estimava em vós sua imagem e semelhança! Em preço de vosso resgate ofereceu seu próprio sangue, dando preferência à vossa salvação! Oh! Como quisera ser dona de vossa vontade para converter-vos a seu amor e obediência! Sejam abençoados por sua destra, os justos e agradecidos que serão filhos de seu Pai! Sejam repletos de sua luz e dos tesouros de sua graça, os que hão de corresponder aos ardentes desejos de meu Senhor, em lhes dar eterna salvação.

Oh! Quem fora humilde escrava dos filhos de Adão, que por seus serviços, os obrigasse a por termo a suas culpas e à própria perdição! Senhor meu, vida e luz de minha alma, quem terá coração tão duro e vil, quem será tão inimigo de si mesmo que não se reconheça devedor em penhado de vossos benefícios?

Quem tão ingrato e indiferente, que ignore vosso amor ardentíssimo? Como suportará meu coração que os homens, tão beneficiados por vossas mãos, sejam tão rebeldes e grosseiros?

Oh! Filhos de Adão, voltai contra Mim vossa desumana impiedade. Afligi-me, desprezai-me, contanto que deis a meu querido Senhor o amor e reverência que deveis a suas finezas.

Vós, Filho e Senhor meu, sois luz da luz, Filho do eterno Pai, figura de sua substância (Heb 1,3), eterno e tão infinito quanto Ele, igual na essência e atributos, enquanto sois com Ele um só Deus e Majestade suprema (Jo 10, 30). Sois escolhido entre milhares (Cant 5, 10), mais formoso que todos os filhos dos homens, santo, inocente e sem defeito algum (Heb 7, 26). Como, Bem eterno, desconhecem os mortais o objeto nobilíssimo de seu amor, o princípio que lhes deu existência, o fim que consiste sua verdadeira felicidade? Oh! Se me fora possível dar a vida, para que todos saíssem de tal ignorância! 

Participação de Maria

851. Outras muitas razões como estas, dizia a divina Senhora. Meu  coração e minha língua são incapazes de explicar os ardentes afetos daquela inocentíssima pomba que, com este amor e profundíssima reverência, enxugava o sangue que seu Filho querido suava. Outras vezes, ao contrário o encontrava cheio de glória e resplendor, transfigurado, como mais tarde apareceria no Tabor (Mt 17, 2).

Acompanhavam-no grande multidão de anjos, em forma humana, que o adoravam e com sonora e melodiosa voz cantavam hinos de louvor ao Unigênito do Pai feito homem. Ouvia nossa Senhora estas músicas celestiais, e outras vezes assistia a elas, embora não estivesse Cristo Senhor nosso transfigurado. A divina vontade ordenava, em algumas ocasiões, que a humanidade do Verbo recebesse aquele conforto. Em outras recebia-o quando transfigurado, pela redundância da glória da alma sobre o corpo. Isto, porém, foi poucas vezes.

Quando a divina Mãe o via naquela forma gloriosa, ou quando ouvia a música dos anjos, participava com tanta abundância daquele júbilo e deleite celeste que, se não fora a fortaleza de seu espírito e o auxílio de seu Filho e Senhor, desfaleceria. Os santos anjos também a sustentavam nos delíquios corporais que em tais ocasiões costumava sentir.

Resposta do eterno Pai a seu Filho

852. Acontecia muitas vezes que, estando seu Filho santíssimo nestas disposições de sofrimentos ou gozo, orando ao eterno Pai, conferindo os mistérios altíssimos da Redenção, respondia-lhe a pessoa do Pai, aprovando e concedendo o que lhe pedia o Filho para a salvação dos homens. Representava também a humanidade santíssima os decretos da predestinação ou reprovação de alguns.

Nossa grande Rainha e Senhora ouvia e entendia tudo isso. Humilhava-se até o solo, e com incomparável temor reverencial adorava o Todo-poderoso. Acompanhava seu Unigênito nas orações, súplicas e ações de graças que oferecia ao Pai por suas grandes obras e benignidade a favor dos homens, e no louvor de seus imperscrutáveis juízos.

Todos estes segredos e mistérios, a prudentíssima Virgem meditava no seu íntimo e guardava no arquivo de seu imenso coração. De tudo se servia como de matéria e alimento, para mais acender e conservar o fogo que ardia no santuário de seu interior. Nenhum destes favores permaneciam nela sem fruto.

A todos correspondia segundo o maior agrado e gosto do Senhor. A tudo dava a plena correspondência que convinha, para que se realizassem os planos do Altíssimo e todas suas obras se tornassem conhecidas e agradecidas, o quanto era possível numa pura criatura.

DOUTRINA DA RAINHA DO CÉU, MARIA SANTÍSSIMA.

Mãe de misericórdia

853. Minha filha, uma das razões porque os homens me dão o nome de Mãe de misericórdia, é o piedoso amor com que intimamente desejo que todos cheguem a se saciar nas torrentes da graça, e experimentem a suavidade do Senhor (SI 33, 9) como eu. A todos os que têm sede, chamo e convido para comigo chegarem as águas da divindade. Venham os mais pobres e aflitos que, se me responderem e seguirem, ofereço-lhes minha poderosa proteção e amparo, e intercederei junto a meu Filho, pedindo o maná escondido (Apoc 2, 17) que lhes dará alimento e vida. Vem tu, minha amiga. Vem e receberás o nome novo, conhecido só por quem o trás. Levanta-te do pó, sacode e rejeita todo o terrestre e transitório e aproxima-te do celestial. Nega a ti mesma e a todo o proceder da fragilidade humana. Contempla, na verdadeira luz que recebeste, as ações de meu Filho, as minhas que as imitaram, e sejam exemplar e espelho por onde compor a beleza que o sumo Rei deseja encontrar em ti (SI 44, 12).

Reproduzir a vida de Cristo e Maria

854. O meio mais eficiente para conseguires a perfeição que desejas, e dar plena eficácia a tuas obras, é o seguinte: Regula todas tuas obras, é o seguinte: Regula todas tuas ações, gravando no teu coração esta advertência: antes de executar qualquer ato, interior ou exterior, pergunta a ti mesma, se meu Filho santíssimo e eu faríamos ou diríamos o mesmo que vais dizer ou fazer, e com que reta intenção o ordenaríamos à glória do Altíssimo e ao bem do próximo. Se achares que o diríamos e faríamos com esse fim, executa-o. Se, porém, entenderes o contrário, suspende e não o faças. Eu usava esta atenção com meu Senhor e Mestre, apesar de não ter contradição para o bem, como tu, mas porque desejava imitá-lo perfeitamente. Nesta imitação consiste a participação frutuosa de sua santidade, porque ensina e conduz ao mais perfeito e agradável a Deus.

Além disto, advirto-te que, de hoje em diante, nada faças, nem fales, nem penses, sem pedir-me licença antes, consultando-me como tua Mãe e mestra. Se eu te responder agradecerás ao Senhor, e se não te responder, mas perseverares nesta fidelidade, garanto e prometo da parte do Senhor, que Ele te dará luz do que for mais conforme à sua perfeitíssima vontade. Não obstante, faz tudo com a obediência de teu pai espiritual, sem nunca esquecer este exercício.


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